Galeria IBEU, 6 de março, terça-feira, 20h
Edifício Líbano
O
vizinho destranca a porta
no ritual das quatro
voltas.
Neste
ruído nossas vidas
se encontram.
Moramos
dois andares abaixo
de
onde foi território
de Cuba
e
há anelos esquecidos
pelos corredores.
Nas
amendoeiras,
o
outono passa duas vezes
por ano,
desde
1938,
e
um rio caudaloso de destroços
fez
sua nascente
no alto do morro.
Não há pombas, nem pássaros,
nos jardins do Líbano,
mas gatos sobre carros
e
acenos discretos
ao
vencermos as pedras
a
caminho do elevador.
O
cimento recobre as fendas
e
tudo é servil
onde erguia-se
um pequeno chafariz
de
Versailles.





